Embargo europeu ao frango brasileiro pode fechar 45 mil empregos no país

Esses números foram informados ao presidente Michel Temer em ofício da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) para alertar sobre a “gravíssima situação” enfrentada pelo setor e sugerir ações mais enérgicas do governo para superar essa crise

Cadastrado em 02/05/2018 18:55

Notícia por Agência de Notícias Qbo Mais

Embargo europeu ao frango brasileiro pode fechar 45 mil empregos no país

O embargo à carne de frango de 20 unidades brasileiras pela União Europeia pode causar o fechamento de 45 mil postos de trabalho no Brasil – 15 mil diretos e 30 mil indiretos – e perda de receita da ordem de R$ 550 milhões no primeiro semestre deste ano com a suspensão do embarque de 40,8 mil toneladas do produto salgado. Esses números foram informados ao presidente Michel Temer em ofício da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) para alertar sobre a “gravíssima situação” enfrentada pelo setor e sugerir ações mais enérgicas do governo para superar essa crise. A coluna teve acesso ontem ao documento que foi enviado ao gabinete presidencial no último dia 23 de abril.  

 – Senhor presidente da República, em nome de todo o setor produtivo pedimos vossa especial atenção e intervenção na virada desta grave crise, com a abertura de negociações diretas com as autoridades europeias, e até mesmo a inclusão do tema nas negociações Mercosul – União Europeia. Levamos, em média, 10 anos para abrir um mercado, que são jogados fora rapidamente. São milhões em perdas que poderão findar em milhares de postos de trabalhos encerrados – alerta no final o ofício assinado pelo presidente da ABPA, Francisco Turra. 

 O embargo aos frigoríficos brasileiros foi anunciado pela União Europeia dia 19 de abril, mas antes, em 16 de março, o Ministério da Agricultura adotou autoembargo a sete unidades da BRF temendo a decisão europeia em função da Operação Trapaça da Polícia Federal.

 No ofício, a ABPA explica a Temer que o problema hoje se concentra nos critérios de exportação. O Brasil tem uma cota de 25 mil toneladas para carne in natura sem adição de sal, e de 170 mil toneladas para carne de frango in natura com adição de 1,2% de sal. Para cada tonelada a mais que o Brasil exporta além das cotas estabelecidas, é obrigado a pagar 1,024 euros. Segundo a ABPA, essa é uma armadilha travestida de critério sanitário. 

 Os embarques de carne de frango salgada são obrigados a cumprir critérios de análises para mais de 2,6 mil tipos de salmonela, enquanto para o produto sem sal, in natura, são exigidas análises de apenas dois tipos de salmonela. O produto é o mesmo, com ou sem sal. Se for exportado à Europa com um dos 2,6 mil tipos de salmonela, mas se pagar imposto de 1,024 euros, será aceito. Já se tiver 1,2% de sal, o produto será rejeitado e devolvido ao Brasil com a informação “delisting”. 

 Em função disso, no último dia 23, o Brasil já acumulava 371 contêineres com esse bloqueio desde que o país passou a ser monitorado em 100% das cargas logo após a primeira Operação Carne Fraca, em março do ano passado. Essa imposição é feita somente às agroindústrias brasileiras, lamenta a ABPA. Conforme a entidade, isso vem ocorrendo porque anos atrás o Brasil cometeu erro estratégico de aceitar imposições que nem mesmo a própria União Europeia é capaz de cumprir. 

 Agora, é preciso reverter o que consiste numa barreira comercial injusta. A ABPA estuda a abertura de um painel na Organização Mundial do Comércio, mas como essa é uma solução demorada, pede ajuda ao governo na busca de uma solução mais rápida. 

 Indignação

 No ofício, a ABPA diz que não cabe reduzir os problemas do passado (alteração de resultados de testes) que foram pontuais. Para resolvê-los, todas as esferas do setor passaram por compliances detalhados em processos internos e externos. A entidade diz também que não quer abafar os apontamentos corretos feitos nas etapas da Operação Carne Fraca apesar de questionar a comunicação alarmante para fatos do passado.

 "O que causa indignação do setor produtivo é que todas as questões até aqui tratam de problemas anteriores  à primeira etapa (da Carne Fraca) e descartam todos os esforços empregados pelas agroindústrias produtoras e exportadoras, com avanços claros e significativos" lamenta a entidade.

 Problema em SC

 Berço das agroindústrias brasileiras, SC é um dos Estados que mais sofrem. Das 20 unidades fabris impedidas de vender carne de frango à União Europeia, três são da BRF no Estado: em Capinzal, Concórdia e Chapecó. Na unidade de Campinzal, a empresa já informou que dará férias coletivas para 3,2 mil trabalhadores por um mês, começando dia 7 deste mês. As unidades de Condórdia e Chapecó continuam operando porque podem atender a outros mercados. No primeiro trimestre, com a redução das exportações de frango e suíno, o Brasil perdeu R$ 500 milhões em receita e boa parte disso viria para o Estado.

Fonte: NSC Total | Foto: Reprodução 


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