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Agricultura e meio ambiente

Por Redação Quilombo Mais em 04/06/2021 às 12:32:06

A agricultura brasileira é moderna, sustent√°vel, protetora dos recursos naturais, cumpridora das regras ambientais, fiscais e trabalhistas, usu√°ria dos recursos que a tecnologia oferece. Por isso tudo, é eficiente e competitiva. É um dos poucos setores de sucesso no mercado internacional. Assim, n√£o h√° d√ļvidas que o agro continuar√° puxando a economia brasileira como fazia antes da pandemia e como fez, de modo extraoradin√°rio, em 2020. No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste s√°bado (5), é necess√°rio lembrar essa realidade.

A vis√£o da sociedade brasileira sobre a sua agricultura foi maculada em v√°rios momentos de sua história, algumas vezes por vis√Ķes distorcidas por motivos ideológicos. Nesse est√°gio, porém, a sociedade tem uma vis√£o mais clara e mais fiel ao real cen√°rio do campo. Esse ajuste de ótica decorre dos servi√ßos que a agricultura presta ao Pa√≠s na segura√ßa alimentar da popula√ß√£o e ao protagonismo que confere à balan√ßa comercial.

O problema de imagem da agricultura verde-amarela est√° no exterior. O Ministério da Agricultura com o apoio de entidades nacionais do agronegócio – como a Confedera√ß√£o da Agricultura e Pecu√°ria do Brasil e a Associa√ß√£o Brasileira da Prote√≠na Animal, entre outras – promove a√ß√Ķes diplom√°tico-comerciais para apresentar nossas potencialidades agr√≠colas e pecu√°rias e as ótimas condicionantes ambientais que revestem nossos sistemas produtivo.

Alguns fatores maculam esse esfor√ßo. As queimadas na Amazônia e a dificuldade em equacionar rapidamente essa crise ambiental provocaram efeitos devastadores na imagem do Brasil em todo o Planeta. Pulm√£o do mundo, a Amazônia é um gigantesco ecossistema que est√° no radar de todos os pa√≠ses desenvolvidos interessados em contribuir com sua prote√ß√£o – ou em transform√°-la em argumento para san√ß√Ķes n√£o-alfandeg√°rias de motiva√ß√£o comercial. Por esse motivo, o acordo Mercosul-Uni√£o Europeia, depois de anos de discuss√£o e prestes a ser assinado, parece que vai malograr ante a oposi√ß√£o da Fran√ßa e Áustria, entre outros pa√≠ses.

O fator Amazônia afeta toda a agricultura exportacionista e, portanto, a economia nacional. Mas a centralidade da quest√£o é esta: no Amazonas ou em Santa Catarina, os operadores da agricultura – produtor e empres√°rio rural, sindicatos, cooperativas e agroind√ļstria de processamento de gr√£os, leite e prote√≠nas animal e vegetal – precisam ter em mente (e na agenda) a quest√£o ambiental. Imperioso agir em dois fronts. De um lado, exercer efetivamente pr√°ticas de produ√ß√£o sustent√°vel para solo, √°gua, ar, recursos florestais, recursos humanos etc. De outro lado, fazer com que a sociedade envolvente e os mercados compradores percebam a seriedade e determina√ß√£o com que o agro cumpre com os compromissos ambientais.

Santa Catarina foi pioneira em 2009 ao criar o Código Ambiental estadual. Essa lei complexa demandou muito tempo de discuss√£o, mas, sem d√ļvida, consistiu em um grande avan√ßo para a prote√ß√£o e o uso racional dos recursos naturais, reafirmando o conceito de que as florestas e a vegeta√ß√£o nativa s√£o bens de interesse comum, advindo da√≠ o comprometimento com a preserva√ß√£o do patrimônio vegetal e com a biodiversidade. O corajoso exemplo de Santa Catarina que aprovou e instituiu o primeiro código ambiental adequado à realidade de seus recursos naturais, influenciou, na época, o governo central e o Congresso Nacional. E deu origem ao atual Código Florestal Brasileiro.

Em fun√ß√£o da pandemia, tudo o que ocorre nesse momento tem seus efeitos exacerbados na pol√≠tica, na economia, na sociedade. A letalidade, a velocidade de transmiss√£o e o poder de espalhamento do v√≠rus perturbam qualquer previs√£o, mas parece improv√°vel que a situa√ß√£o se normalize antes do fim do ano. A crise ser√° agudizada em v√°rios setores, exigindo mais uma vez que a agricultura e o agronegócio operam com total capacidade para que n√£o faltem alimentos na mesa dos brasileiros e que as exporta√ß√Ķes se mantenham elevadas. Obviamente, o clima precisa ajudar para obtermos as projetadas 270 milh√Ķes de toneladas de gr√£os.

O am√°lgama das crises sanit√°ria, pol√≠tica e econômica deveria estimular o Governo e o Congresso a acelerar a agenda de reformas estruturais. Esse é um dos caminhos para supera√ß√£o. Outro caminho convergente é um diagnóstico sobre o baixo crescimento brasileiro. O Brasil precisa modernizar a economia. Em ano de pandemia, os problemas crônicos ganham nova dimens√£o.

MB Comunicação

Fonte: Chapecó Mais

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